Popularidade não garante retorno em projetos de IA

Casos populares de IA não são necessariamente os que mais entregam retorno. Priorize pela perda que se reduz ou pelo resultado mensurável, considerando o contexto da empresa.

Popularidade não garante retorno em projetos de IA

Uma ferramenta aparece em várias apresentações. Concorrentes começam a usá-la. A equipe vê uma demonstração convincente e surge a pergunta: como podemos fazer o mesmo? O problema aparece quando essa pergunta vem antes de outra: qual resultado precisa melhorar? Pesquisa divulgada pela Gartner em 1º de setembro de 2026 ajuda a ver essa diferença. O levantamento ouviu 1.303 participantes de organizações com receita anual de pelo menos US$ 50 milhões. Entre elas, 22% afirmaram ter conseguido ampliar IA por várias unidades ou adotar uma abordagem mais ampla, enquanto 11% disseram não saber quanto sua própria função havia gasto com a tecnologia em 2025. A amostra reúne organizações bem maiores do que as PMEs. Os percentuais não devem ser transferidos diretamente para empresas menores. O ponto útil está na diferença entre adoção e retorno. Popularidade não significa aderência Uma aplicação pode ser popular porque é fácil de demonstrar, tem ampla divulgação ou produz resultado visível rápido. Isso não significa que ataque a principal perda da empresa. Automatizar uma tarefa feita poucas vezes pode gerar boa demonstração e pouco efeito econômico. Melhorar uma atividade menos visível, mas repetida centenas de vezes, pode liberar mais capacidade. O mesmo vale para vendas. Geração de conteúdo pode aumentar volume produzido. Se o gargalo comercial está no tempo de resposta ou no acompanhamento de propostas, a tecnologia pode estar na etapa errada. A prioridade precisa começar pelo processo. Os casos mais adotados não lideraram todos os retornos Na área de TI analisada pela Gartner, detecção e resposta a ameaças e automação do suporte apareceram entre os casos mais perseguidos. Quando a pesquisa olhou os casos com maiores proporções de participantes relatando retorno positivo, outras aplicações ganharam destaque — como otimização de ativos e custos de TI. Os dados não comprovam que um tipo de aplicação sempre produza retorno superior. Mostram que popularidade e resultado são medidas diferentes. O caso mais comentado no mercado pode não ser o que resolve o principal problema de determinada empresa. A linha de base precisa existir antes do teste Antes de iniciar um projeto, a empresa precisa registrar como o processo funciona hoje. Se o objetivo é acelerar vendas, medem-se tempo de resposta, propostas abertas e conversão. Se o problema é retrabalho, entram horas, correções e erros. No atendimento, volume, tempo de resolução e necessidade de transferência. Sem essa linha de base, a equipe pode achar que a ferramenta parece mais rápida sem conseguir demonstrar se o processo efetivamente melhorou. Retorno pode aparecer de formas diferentes Nem todo projeto precisa reduzir diretamente uma despesa. Uma aplicação pode liberar horas, aumentar capacidade, reduzir erros, recuperar oportunidades comerciais ou acelerar uma decisão. Antes do piloto, a liderança precisa definir qual mudança espera observar — e o que acontecerá se o resultado não aparecer. Um projeto pode funcionar tecnicamente e ainda não justificar continuidade. Interromper nesse caso também é decisão de gestão. Para PMEs, uma carteira menor de iniciativas pode facilitar acompanhamento e aprendizado. Antes de procurar onde usar inteligência artificial, vale localizar onde existe uma perda relevante e definir qual indicador mostrará que ela diminuiu. A ferramenta entra depois. Escolha o caso pelo resultado que importa Compare o problema, a frequência, a qualidade dos dados, o esforço de integração e a métrica que mudará se o teste funcionar. Popularidade ajuda a gerar hipóteses; não substitui evidência no processo. Fontes consultadas Gartner. Gartner Survey Finds Only 22% of Organizations Have Successfully Scaled AI Across Multiple Business Units. 1º de setembro de 2026. Acessar a publicação SAP News Center. David Imbert e Lukas Deutsch. AI’s Finance Challenge: Managing Token Spend Without Slowing Innovation. 8 de setembro de 2026. Acessar a publicação