Aplicações populares de IA nem sempre são as que mais entregam retorno

Popularidade de um caso de uso não prova retorno. A empresa precisa priorizar o problema, estimar o valor da melhoria e medir o resultado antes de ampliar.

Aplicações populares de IA nem sempre são as que mais entregam retorno

Uma empresa vê concorrentes adotando copilotos, agentes, geração de código ou automação de atendimento e decide seguir o mesmo caminho. A escolha parece segura: se muita gente investe naquela aplicação, provavelmente existe valor ali. Uma pesquisa recente do Gartner mostra que essa relação não é tão simples. Entre janeiro e abril de 2026, a consultoria ouviu 1.303 profissionais de organizações com receita anual de pelo menos US$ 50 milhões. O levantamento identificou um contraste entre os casos de uso de IA mais procurados e aqueles em que uma proporção maior de líderes relatou retorno positivo. Popularidade não é o mesmo que retorno A diferença aparece com clareza em tecnologia da informação. Detecção e resposta a ameaças de cibersegurança e automação do service desk estavam entre as aplicações mais buscadas, ambas citadas por 54% dos líderes. Geração e refatoração automática de código apareciam com 44%. Quando o Gartner analisou os casos com maior proporção de retornos positivos relatados, a lista mudou. Otimização inteligente de ativos e custos de TI apareceu com 40%, geração de dados sintéticos com 28% e geração e refatoração de código com 23%. O dado não diz que aplicações populares sejam ruins. Diz que frequência de adoção e geração de valor são medidas diferentes. O investimento continua crescendo Na mesma pesquisa, 85% dos líderes funcionais afirmaram que pretendem elevar os gastos com IA em 2026. Em 2025, essas organizações haviam destinado, em média, 12% dos orçamentos de suas funções à inteligência artificial. Ao mesmo tempo, apenas 22% das organizações pesquisadas haviam conseguido escalar IA por várias unidades de negócio ou adotar uma abordagem considerada AI-first. Cerca de 11% sequer sabiam quanto sua função havia gasto com IA no ano anterior. Mais orçamento não elimina a necessidade de escolha. Torna a priorização ainda mais importante. O caso de uso precisa nascer do problema Uma empresa pode encontrar mais valor em uma aplicação discreta do que em uma iniciativa que domina as conversas sobre IA. O ponto de partida pode ser retrabalho alto, custo que cresce sem visibilidade, decisão atrasada por falta de informação ou processo recorrente que consome capacidade da equipe. A partir daí, algumas perguntas ajudam: Qual problema precisa mudar? Como ele é tratado hoje? Qual indicador mostraria uma melhoria? Quanto custa testar a nova aplicação? Quem responde pelo resultado? Em que situação o projeto deve ser mantido, ajustado ou interrompido? Esse raciocínio reduz a chance de escolher o caso de uso primeiro e procurar justificativa depois. Medir também significa saber parar O Gartner identificou uma diferença entre organizações de melhor e pior desempenho. As classificadas como de alto desempenho acompanhavam retorno continuamente, tratavam iniciativas de IA como portfólio e reavaliavam ou interrompiam projetos com desempenho insuficiente. Entre elas, retornos positivos foram relatados em 81% das iniciativas. O número não é promessa de que o mesmo método produzirá o mesmo resultado em outra empresa. Mostra uma característica das organizações pesquisadas: medir, comparar e realocar investimento fazia parte da gestão. Para a liderança, a pergunta útil não precisa ser “qual IA todo mundo está usando?”. Pode ser: qual problema da nossa operação merece investimento, e que evidência mostrará que vale continuar? Priorize por problema e evidência Registre a perda ou oportunidade que a aplicação pretende atacar, a métrica de resultado e o custo de testar. Compare adoção, qualidade da entrega e efeito no processo; um uso conhecido pode não ser a melhor primeira escolha. Fonte consultada