Empresas veem valor na IA, mas poucas acompanham se o retorno paga a conta

Pesquisa global da KPMG aponta que muitas organizações relatam benefícios com IA, mas poucas comparam sistematicamente esses resultados aos custos. Para gestores, o recado é prático: definir o que conta como ganho antes de ampliar o investimento.

Empresas veem valor na IA, mas poucas acompanham se o retorno paga a conta

Quase nove em cada dez organizações ouvidas pela KPMG afirmam perceber valor mensurável no uso de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, somente 12% dizem comparar de forma consistente os benefícios com os custos em toda a organização. Os números fazem parte do Global AI Pulse Q3 2026, divulgado em 14 de outubro e baseado em 2.131 executivos de 20 países e jurisdições. “Estamos usando IA” e “a IA compensa” são afirmações distintas. A decisão de manter ou expandir depende do tempo da equipe, da qualidade do resultado, da revisão necessária e do efeito no processo. O estudo não é uma conta para uma PME Os entrevistados eram responsáveis por estratégia ou operação em organizações com receita anual a partir de US$ 50 milhões, com limites maiores em alguns mercados. A pesquisa foi realizada entre julho e agosto de 2026. Ela não representa diretamente empresas brasileiras menores, e as respostas refletem avaliação dos próprios executivos, não uma auditoria independente de retorno financeiro. A diferença entre perceber benefício e medi-lo oferece uma pergunta útil: qual resultado justificaria o gasto? Para uma equipe pequena, pode ser o tempo de atendimento poupado, o prazo de preparação de uma proposta ou o retrabalho evitado. A métrica deve refletir o processo, não apenas o uso da ferramenta. Compare o trabalho antes e depois Antes de iniciar um piloto, registre a situação atual: duração da tarefa, custo aproximado, erros ou retrabalho e quem confere a entrega. Defina também o padrão mínimo de qualidade e o que interromperia o teste. Após um período combinado, compare a mesma tarefa e some o tempo gasto para orientar a ferramenta, revisar a resposta e corrigir falhas. Se a atividade ficou mais rápida, mas a revisão aumentou, o ganho pode ser menor do que parece. Acompanhe o indicador pertinente, sem atribuir automaticamente qualquer mudança à IA: volume, equipe ou processo também podem explicar o resultado. A decisão é continuar, ajustar ou parar Uma planilha simples com custo total, indicador de processo e responsável pela revisão pode sustentar a próxima decisão. Se o efeito não estiver claro, limite o teste e ajuste a tarefa ou o critério. Se o benefício aparecer com qualidade estável, avalie ampliar o uso de forma gradual. A KPMG aponta uma lacuna de mensuração em organizações grandes. Para uma PME, a aplicação não é copiar seus orçamentos: é exigir evidência proporcional ao próprio investimento antes de transformar um experimento em rotina. Fonte: KPMG, “89% of organizations report measurable value from AI, but only 12% consistently measure value against cost”, publicado em 14/10/2026. https://kpmg.com/ua/en/media/press-releases/2026/10/89-percents-of-organisations-report-value-from-ai.html