IA dificulta avaliar candidatos, dizem 60% dos profissionais ouvidos pela WGU
Respostas bem apresentadas passaram a exigir uma verificação adicional: o candidato consegue explicar e aplicar o que entregou? Uma pesquisa americana sobre contratação coloca essa dificuldade em discussão. O levantamento reúne percepções de profissionais e não mede a frequência de fraudes nem representa o mercado brasileiro.
IA dificulta avaliar candidatos, dizem 60% dos profissionais ouvidos pela WGU
O resultado pronto ficou menos conclusivo Segundo uma pesquisa divulgada pela Western Governors University em 30 de setembro, 60% dos profissionais de contratação entrevistados consideram que a IA tornou mais difícil avaliar as competências reais dos candidatos. A Centiment ouviu 3.128 pessoas envolvidas em contratação nos Estados Unidos, entre 24 de junho e 7 de julho de 2026. O dado trata da percepção de quem contrata. Não demonstra que candidatos estejam enganando empresas na mesma proporção. Expõe uma dificuldade prática: um material bem produzido pode revelar tanto competência quanto acesso a uma ferramenta capaz de melhorar sua apresentação. Explicar a escolha passa a importar Para uma empresa, o risco aparece quando uma resposta correta é tomada como prova suficiente de que a pessoa consegue executar o trabalho. Na rotina, será necessário reconhecer informação ausente, corrigir uma premissa e responder quando o problema mudar. Isso vale para uma análise financeira, uma proposta ou um plano de atendimento. O candidato pode usar IA e ainda assim demonstrar domínio, desde que consiga explicar suas escolhas e identificar onde o resultado precisa de revisão. A avaliação ganha uma camada adicional: observar como a pessoa utiliza o apoio recebido. Proibir qualquer ferramenta não resolve, por si só, a necessidade de conhecer o julgamento que estará disponível depois da contratação. Formação da equipe também entra na decisão O levantamento informa que 42% esperam fechar lacunas de competências principalmente pela capacitação dos profissionais atuais, diante de 22% que pretendem depender sobretudo de novas contratações. Esses planos não comprovam a eficácia de uma estratégia sobre a outra. Para o gestor, a escolha depende do que falta. Se o conhecimento do negócio já existe na equipe, pode fazer sentido desenvolver uma nova forma de execução. Se falta experiência essencial para decidir e revisar, a ferramenta não preenche sozinha essa ausência. A demonstração deve caber na vaga Uma avaliação pode incluir um caso curto, relacionado à função, seguido de uma conversa sobre as decisões tomadas. Convém informar quais ferramentas são permitidas e aplicar critérios equivalentes aos participantes. Pedir que a pessoa explique uma inconsistência pode mostrar mais do que solicitar outro documento extenso. Esse cuidado exige tempo do avaliador e um problema bem preparado; não deve transformar a seleção em trabalho gratuito para a empresa. O objetivo é reconhecer competência, inclusive no uso responsável de IA, com evidência proporcional à vaga. Fontes consultadas Western Governors University, comunicado distribuído pela GlobeNewswire — “60% of Employers Say AI Has Made Real Skills Harder to Evaluate, WGU Workforce Decoded Report Finds” — 30 de setembro de 2026. Acessar a publicação