CFOs ganham espaço nas decisões sobre IA

Pesquisa da Salesforce divulgada em 9 de setembro mostra que quase três quartos dos 865 líderes financeiros entrevistados tiveram suas responsabilidades ampliadas no último ano, e a gestão do uso de inteligência artificial foi o motivo mais citado. Metade já se considera responsável principal pela estratégia de IA da empresa. O movimento aproxima tecnologia de orçamento, controles, dados e retorno, tornando o financeiro uma área cada vez mais presente na decisão sobre onde investir e como medir os resultados.

CFOs ganham espaço nas decisões sobre IA

Durante muito tempo, uma iniciativa de inteligência artificial podia chegar ao financeiro apenas como uma linha de orçamento. Uma área identificava a ferramenta. Tecnologia avaliava a implementação. O CFO acompanhava o investimento e verificava se havia recursos disponíveis. Essa separação começa a mudar. Pesquisa publicada pela Salesforce nesta quarta-feira mostra que quase três quartos dos líderes financeiros consultados afirmam que seu escopo de atuação aumentou no último ano. A gestão e a expansão do uso de IA foram o motivo mais citado para essa ampliação. Metade dos participantes também afirmou ser hoje responsável principal pelas decisões relacionadas à estratégia de inteligência artificial de suas empresas. IA passa a ser também uma decisão financeira Quando uma aplicação entra em vendas, atendimento, produção ou administração, sua avaliação não depende apenas de desempenho técnico. Ela passa a envolver perguntas que já fazem parte da rotina financeira. Quanto será investido? Qual despesa variável pode crescer com o uso? Que resultado justificará a continuidade? Quem poderá acessar as informações? Como uma decisão será auditada? O financeiro não precisa escolher qual modelo tecnológico será utilizado. Seu papel cresce porque orçamento, risco, controles e retorno fazem parte da mesma aplicação. Isso aproxima a discussão sobre IA da disciplina utilizada para decidir onde recursos escassos devem ser alocados. Mais formas de vender aumentam a dificuldade de acompanhar a receita A pesquisa ajuda a explicar por que essa aproximação está acontecendo. Entre os participantes, 71% afirmaram que suas empresas vendem por mais canais do que há 12 meses. Outros 65% disseram acompanhar receitas provenientes de mais de um modelo, incluindo assinaturas, serviços, cobrança por consumo e estruturas híbridas. Mais canais podem ampliar faturamento. Também podem espalhar informações entre sistemas diferentes. Uma venda pode começar em um canal, passar por um parceiro, gerar dados de uso em outra plataforma e precisar ser conciliada depois com faturamento e reconhecimento de receita. Quanto mais fontes participam desse percurso, maior a necessidade de transformar informação dispersa em uma visão utilizável pela gestão. Trabalho manual ainda ocupa parte relevante da área financeira Segundo a Salesforce, 67% dos líderes consultados afirmaram que suas equipes ainda executam manualmente pelo menos um em cada cinco fluxos de trabalho, muitas vezes utilizando planilhas. A pesquisa ouviu 865 profissionais de finanças na França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos entre 4 e 15 de maio de 2026. Os resultados, portanto, não representam diretamente empresas brasileiras ou PMEs. Ainda assim, a situação descrita é reconhecível. Quanto mais informações precisam ser reconciliadas manualmente, maior pode ser o intervalo entre o evento e a leitura da gestão. IA e automação podem ajudar a organizar dados, localizar divergências, preparar previsões e destacar situações que exigem atenção. A velocidade, porém, não corrige uma definição financeira inadequada nem transforma dados inconsistentes em uma leitura confiável. Retorno precisa entrar antes da implantação Entre os líderes financeiros que utilizam IA, 90% relataram retorno positivo. Segurança aparece como principal barreira à expansão, citada por 46%, enquanto governança e integração com sistemas existentes foram mencionadas por 42%. São percepções declaradas pelos participantes, não uma garantia de que uma empresa obterá o mesmo resultado. A consequência mais útil está na mudança de responsabilidade. Quando o financeiro participa desde o início, retorno deixa de ser uma conta feita apenas depois que a ferramenta entrou em uso. Pode virar critério de seleção. Qual resultado precisa melhorar? Quanto o problema custa atualmente? Que investimento será necessário? Em quanto tempo a mudança deve aparecer? Em que condição o projeto será ampliado ou interrompido? A entrada dos CFOs nessa discussão mostra que a inteligência artificial começa a sair do orçamento de tecnologia e entrar na mesma conversa sobre capital, capacidade, risco e resultado que orienta outras decisões da empresa. Fontes consultadas Salesforce. New Research: CFOs Turn to AI and Agents to Tame Growing Revenue Complexity. 9 de setembro de 2026. Acessar a publicação