Empresas brasileiras avançam no uso de IA, mas maturidade ainda é baixa

Estudo realizado pela Strand Partners para a AWS indica que 50% das empresas brasileiras já utilizam inteligência artificial, ante 40% no levantamento anterior. Entre as organizações que adotaram a tecnologia, porém, apenas 15% foram classificadas no nível avançado de aplicação. O movimento mostra que o acesso deixou de ser a principal barreira: para a gestão, o desafio passa a ser transformar testes e usos individuais em processos integrados, com responsáveis, indicadores e capacidade de medir resultado.

Empresas brasileiras avançam no uso de IA, mas maturidade ainda é baixa

O primeiro contato com inteligência artificial ficou simples. Uma pessoa utiliza uma ferramenta para preparar um relatório. Outra resume documentos. Uma terceira começa a organizar informações que antes exigiam algumas horas de trabalho. Em pouco tempo, a empresa já utiliza IA em diferentes pontos da rotina, mesmo sem ter definido uma estratégia comum. Um estudo anunciado durante o AWS Summit São Paulo, em 3 de setembro, ajuda a dimensionar esse movimento no Brasil. A pesquisa “Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil 2026”, realizada pela Strand Partners para a Amazon Web Services, estima que 50% das empresas brasileiras já utilizam inteligência artificial, o equivalente a aproximadamente 12 milhões de organizações. No levantamento anterior, a proporção era de 40%. A adoção cresceu. A maturidade não avançou na mesma proporção. Usar IA e mudar a operação são movimentos diferentes Entre as empresas que declararam utilizar IA, 58% foram classificadas pela pesquisa no nível básico, associado a ganhos incrementais de eficiência. Outros 27% aparecem no nível intermediário e apenas 15% no nível considerado avançado. A classificação pertence ao método utilizado no estudo e não deve ser interpretada como uma medida universal de maturidade. Ela ajuda, porém, a separar duas situações. Uma ferramenta pode melhorar uma tarefa individual sem modificar o processo em que aquela atividade está inserida. Um profissional prepara uma análise mais rapidamente, mas os dados continuam espalhados. Outro produz uma primeira versão em menos tempo, mas a aprovação continua presa na mesma sequência de espera. Uma equipe utiliza diferentes assistentes, mas ninguém acompanha quais aplicações realmente melhoraram algum indicador. O ganho existe. Ainda não se tornou capacidade da empresa. O investimento cresce antes da capacidade de medir retorno O estudo informa que 68% das organizações aumentaram seus investimentos em IA no último ano. Entre aquelas que utilizam a tecnologia, 72% relataram ganhos de produtividade. Esses são resultados declarados pelas empresas pesquisadas. Eles não demonstram, isoladamente, que a IA causou determinada melhora financeira ou operacional. Outro dado ajuda a colocar essa expansão em perspectiva: somente cerca de um terço das empresas afirmou estar confiante em sua capacidade de medir o retorno sobre o investimento em IA. Essa diferença importa para a gestão. A empresa pode perceber que uma ferramenta ajuda e, ainda assim, não saber quantas horas foram liberadas, quanto de erro foi reduzido, se a capacidade adicional gerou mais receita ou se o investimento deveria continuar. Sem uma linha de base, utilização pode ser confundida com resultado. Agentes ampliam a necessidade de processos claros A pesquisa também aponta que apenas 21% das empresas se consideram preparadas para tecnologias de próxima geração, como agentes de IA. A falta de habilidades digitais e relacionadas à inteligência artificial aparece como barreira para 48% das participantes. Quanto mais uma aplicação consegue agir, maior passa a ser a necessidade de definir contexto e responsabilidade. Um agente pode consultar informações, preparar documentos ou acionar partes de um fluxo. Isso não resolve sozinho um processo em que os dados possuem definições diferentes, as exceções não têm responsáveis ou ninguém sabe qual resultado deve orientar a ação. Capacidade tecnológica e maturidade operacional precisam avançar juntas. Para PMEs, avançar pode significar escolher menos aplicações A próxima decisão não precisa ser contratar outra ferramenta. Uma pequena ou média empresa pode começar selecionando uma utilização que já demonstrou utilidade e observar o processo completo. Qual atividade está sendo melhorada? Quanto tempo ela consome hoje? Quem responde pelo resultado? Quais informações são necessárias? Que indicador deveria mudar? Se essas respostas não estiverem claras, ampliar o uso pode aumentar apenas a quantidade de experiências em andamento. O crescimento da adoção mostra que a inteligência artificial já entrou na rotina de uma parcela relevante das empresas brasileiras pesquisadas. A próxima diferença tende a aparecer menos entre quem tem ou não acesso à tecnologia e mais entre quem consegue transformá-la em uma capacidade repetível, integrada e mensurável. Fontes consultadas Amazon Web Services / Strand Partners. Adoção de IA no Brasil atinge 50% das empresas, mas maturidade ainda é desafio. 3 de setembro de 2026. Acessar a publicação