Antes de ampliar a IA, a empresa precisa saber onde ela já está
Ferramentas de IA entram nas empresas por iniciativas individuais e por recursos já embutidos em sistemas contratados. Antes de ampliar o investimento, a liderança precisa mapear ferramentas, tarefas, dados, responsáveis e impacto possível de um erro.
Antes de ampliar a IA, a empresa precisa saber onde ela já está
Uma pessoa usa IA para resumir documentos. Outra encontra um recurso dentro de uma plataforma já contratada. Uma terceira cria uma conta para acelerar uma tarefa recorrente. Quando a liderança começa a discutir uma estratégia de inteligência artificial, parte da empresa talvez já esteja usando a tecnologia. Isso não significa necessariamente falta de controle. Muitas iniciativas aparecem porque existe uma tarefa que consome tempo ou uma necessidade que os sistemas atuais ainda não resolvem. O problema surge quando ninguém consegue responder onde a IA está sendo usada, com quais informações e para produzir quais resultados. A adoção pode acontecer antes do planejamento A pesquisa TIC Empresas 2025 mostra que o uso de IA entre as empresas brasileiras da população analisada passou de 13% em 2024 para 17% em 2025. O crescimento ocorreu em empresas de diferentes portes. Ao mesmo tempo, ferramentas generativas estão cada vez mais presentes em plataformas que as equipes já usam. Por isso, a adoção nem sempre começa com um projeto corporativo. Pode surgir de uma experiência individual para resolver um problema específico. A primeira decisão da liderança é transformar essa experimentação dispersa em informação suficiente para definir o que pode continuar, o que precisa de ajuste e o que não deveria permanecer em uso. Uma lista de ferramentas não é suficiente Saber apenas que a empresa usa ChatGPT, Copilot ou outra solução diz pouco. A mesma ferramenta pode organizar ideias de uma apresentação ou analisar contratos, informações financeiras e dados de clientes. As consequências são diferentes. Um inventário inicial pode registrar: fornecedor e ferramenta; área e responsável; tarefa realizada; informações utilizadas; resultado produzido; forma de revisão; frequência de uso; impacto possível de um erro. Uma planilha controlada já pode criar visibilidade suficiente para a primeira análise. O nível de controle depende da aplicação Reorganizar um texto interno exige cuidados diferentes de apoiar uma contratação, definir preços ou trabalhar com informações financeiras. Depois de mapear o uso, a empresa pode separar aplicações de menor risco daquelas que exigem ferramenta corporativa, treinamento, revisão adicional ou avaliação técnica. Se uma solução não autorizada estiver recebendo dados pessoais, documentos confidenciais, credenciais ou informações financeiras, o uso precisa ser avaliado imediatamente. O mapa precisa gerar decisões O objetivo do levantamento é identificar ferramentas diferentes para a mesma tarefa, licenças pouco aproveitadas, usos que poderiam ser estruturados, aplicações que exigem controles adicionais e iniciativas que não justificam continuidade. A empresa começa a gerir IA quando deixa de discutir a tecnologia de forma abstrata e consegue enxergar aplicações concretas, responsáveis e consequências. Antes de ampliar o investimento, vale primeiro entender o que já está acontecendo dentro da operação. Fontes consultadas Cetic.br | NIC.br. Uso de Inteligência Artificial por empresas brasileiras avança e atinge 17%, aponta pesquisa do Cetic.br . 15 de junho de 2026. Acessar a publicação Cetic.br | NIC.br. TIC Empresas 2025 — apresentação de resultados . 2026. Acessar a apresentação SGD e Serpro. Guia de IA Generativa no Serviço Público . Acessar o guia NIST. Artificial Intelligence Risk Management Framework — AI RMF 1.0 . 26 de janeiro de 2023. Acessar o framework