Acompanhar uma tarefa por vários dias, retomar uma pendência e preparar uma entrega sem receber todas as instruções novamente. Essa é a proposta dos agentes persistentes, categoria que reúne os Dots, da OpenAI, e o Grok Bot.

Eles combinam o modelo de IA com memória, ferramentas e um ambiente de execução. Assim, o trabalho pode continuar além de uma conversa, dentro dos acessos e das permissões definidos pelo usuário.

Na DG5 Intelligence, já usamos agentes internos, como Lob e Lucy, representados na imagem que acompanha este artigo. Lob é o personagem laranja de óculos e fones de ouvido; Lucy aparece em uma representação humana, ao lado dele. São as identidades visuais de dois agentes que fazem parte da nossa operação.

O que são os Dots

Anunciados pela OpenAI em 29 de setembro, os Dots usam o GPT-6 Astra e têm computador e navegador próprios na nuvem. Podem trabalhar com aplicativos conectados e incorporar as orientações recebidas ao longo das tarefas.

Um exemplo apresentado pela empresa é a produção de conteúdo: quando chega a transcrição de uma entrevista, o agente identifica trechos para cortes, prepara notas e redige publicações para aprovação.

Há uma distinção importante: a pesquisa proativa em segundo plano usa ferramentas restritas à leitura. Isso não equivale a uma autorização para enviar mensagens ou modificar conteúdos. O usuário pode definir regras de ação e acompanhar o trabalho.

Fonte: OpenAI - Introducing dots.

Onde entra o Grok Bot

O Grok Bot, anunciado em 11 de agosto, também propõe agentes com acesso a um computador na nuvem e capacidade de trabalhar entre aplicativos.

Na apresentação oficial, o destaque está na organização de vários bots: eles podem dividir responsabilidades, trocar contexto e coordenar etapas. Entre os exemplos divulgados estão atualizar registros de relacionamento com clientes, preparar contatos comerciais e encaminhar correções de software.

A documentação de design também descreve rotinas acionadas automaticamente e agentes que preservam sua identidade e seu histórico entre conversas. Portanto, aqui estamos falando especificamente do Grok Bot, não apenas do chat do Grok.

Fontes: anúncio do Grok Bot e funcionamento dos agentes persistentes.

O que isso pode mudar nas empresas

Imagine uma rotina de marketing: chega um novo briefing, o agente compara as informações com os materiais existentes, aponta o que falta e prepara uma primeira versão. Quando o cliente envia uma atualização, ele retoma o trabalho a partir daquele contexto.

É um exemplo hipotético. A execução depende das integrações, das permissões e da qualidade das informações disponíveis.

Na minha leitura, o ganho potencial está na continuidade: reduzir o tempo gasto reunindo contexto, cobrando etapas e recomeçando tarefas. Mas isso exige definir o que o agente pode fazer sozinho, quando precisa parar e como a entrega será conferida.

Os anúncios mostram propostas de uso, não uma garantia de produtividade para qualquer empresa. Antes de ampliar a autonomia, vale testar uma rotina delimitada e verificar o resultado.

Qual tarefa da sua empresa mais se beneficiaria de uma IA capaz de acompanhar o trabalho do início à entrega?